Festivais

Sathya Sai Baba é um Mestre Universal. Ele afirmava constantemente que não estava aqui para fundar uma nova religião e sim, para falar de Amor e Unidade. Sabemos que todas as religiões, embora possam ser diferentes quanto aos métodos e formalidades, são idênticas em essência, pois todas partem do mesmo princípio e todas pregam o poder da virtude. "Quando a essência de todas as religiões é idêntica, quando todas as escrituras proclamam a mesma verdade, quando a meta de todo esforço humano é única, onde está o fundamento para qualquer diferença? Os caminhos são variados, mas o destino é único e o mesmo", diz Sai Baba.


Em Prashanti Nilayam, Sai Baba tradicionalmente permitia que os devotos celebrassem com grandes festas as datas mais importantes não somente do calendário hindu, como do calendário cristão, muçulmano, budista, etc. Nesses dias, o ashram recebe nova decoração, com muito colorido, muitas flores, muitos discursos e apresentação de danças típicas, teatro etc. São espetáculos lindos de se ver, pela devoção e pelo que representam.
Ao abrirmos este tópico, nossa intenção é dar uma idéia geral sobre a simbologia de alguns desses festivais do hinduísmo, para que deixem de ser tão enigmáticos para nós, do ocidente, que às vezes nos assustamos à visão desse leque de deidades da cultura hindu, representado por formas para nós exóticas e estranhas.
  • O Hinduísmo
O hinduísmo é uma fonte inesgotável de conhecimento. Baseado nos princípios eternos dos Vedas (*), dele se originaram as religiões do mundo. Apesar de cultuar inúmeras deidades, o hinduísmo acredita e louva um único Deus. O que nos leva a pensar o contrário explica-se pelas inúmeras e variadas representações divinas, pois o hinduísmo enfatiza e dá vida a cada um dos aspectos de Deus, exibindo, por meio da sua criativa arte, os símbolos ocultos que cada uma dessas faces abriga.
Tomemos como exemplo a Suprema Trindade Brahma-Vishnu-Shiva. Apesar de constituir uma unidade inseparável, cada sagrado componente possui e é representado com características individuais e únicas, assim como individuais e únicas são suas tarefas:


Brahma: aquele que cria; a Mente Cósmica Universal;
Vishnu: aquele que sustenta, protege e mantém aquilo que foi criado;
Shiva: aquele que destrói o que precisa ser renovado.


Faces do Deus único que, como o diamante ao sol, mostra-se múltiplo em cores, apesar de ser apenas um.


“Os ocidentais têm perguntado por que criamos diferentes Nomes e Formas enquanto Deus é somente Um. Eles pensam que deveríamos ter unicamente um Nome e uma Forma. Os cidadãos da antiga Índia sempre desejaram chegar mais e mais perto de Deus. Para isso, criaram mais e mais nomes apropriados para Deus. Cada indivíduo dava a Deus o nome que mais lhe agradava. Não é correto decretar uniformidade. Deus reside e brilha em todos os corações, e cada indivíduo, dependendo da imagem de Deus refulgente em seu interior, tem o direito a adotar o aspecto particular de Deus que mais o atraia.” (Sathya Sai Baba)
A beleza e a riqueza dos festivais do calendário hindu está jutamente na multiplicidade de formas e símbolos que acompanham as diversas faces do divino, demonstrando ao aspirante espiritual a unidade na diversidade.
  • Arquétipos
Torna-se mais fácil compreender a simbologia do Hinduísmo quando assimilamos o significado dos arquétipos. O que são arquétipos?
Arquétipos são padrões de caráter universal do inconsciente coletivo da humanidade. Constituem a base da mitologia, da religião, das lendas. São impulsos criadores do inconsciente. Nossos instintos, por exemplo, são manifestações dos arquétipos.
O sentimento de terror ou deslumbramento que a visão das forças da natureza provoca em nós provém da imagem arquetípica construída no nosso inconsciente coletivo.
Através dos mitos, o homem pôde expressar essas imagens arquetípicas.
Segundo a professora de mitologia Marilu Martinelli: "No hinduismo a mitologia, a filosofia e a espiritualidade são inseparáveis: quer se trate de heróis, de encarnações divinas ou dos diversos aspectos de deus, todos expressam princípios cosmológicos, virtudes e valores. As lendas e mitos existem para tornar mais acessíveis os nossos diálogos com nossa subjetividade, e nos ajudam a ouvir a voz silenciosa da alma porque refinam a percepção e a intuição. Sua ação transformadora revela o poder do transcendental como sustentação da vida. Essas histórias maravilhosas desbravam novos caminhos interiores e ampliam a compreensão das concepções filosóficas e cosmológicas universais".


(*)NOTA: Vedas - O hinduísmo possui extensa literatura com preceitos relativos à vida cotidiana e à organização social. Os mais antigos, os Vedas ou Conhecimento, reúnem ensinamentos anteriores ao século X a.C. Além desses, são importantes os Purunas (narrativas sobre a tríade divina Brahma, Shiva e Vishnu, as festas e condutas do hindu), o Mahabharata (O Grande Combate dos Bharata), poema que trata da luta do bem e do mal, dos cultos a Shiva e Vishnu e as lutas entre as tribos hindus; os Upanishads (aulas dos mestres), o Ramayana (poema sobre o amor de Rama por Sita) e o Código de Manu (normas, regras e práticas sociais hindus).


GANESHA


O Festival de Ganesha (Ganesha Chaturthi) é um dos mais importantes do hinduísmo. Como a maioria dos festivais hindus, é uma festa móvel, por se reger pela lua. Ocorre normalmente entre os meses de agosto e setembro.
Mas - perguntamos - quem é afinal este ser exótico, metade homem, metade elefante, com quatro braços e um surpreendente ratinho como veículo? Ganesha, um dos mais populares e venerados ícones do hinduísmo, é, sem dúvida, para nós ocidentais, um grande enigma de difícil compreensão... à primeira vista. Veremos que, ao olhar mais aprofundado, o enigma vai se decifrando.

  • A Criação de Ganesha

Diz a Mitologia Hindu que Parvathi (consorte de Shiva), sentia-se muito só, porque Shiva passava longos períodos meditando nos Himalayas.
Assim, resolveu criar um filho a partir da matéria de seu próprio corpo, misturada aos óleos perfumados que usava durante o banho.
Deu vida ao menino com um sopro e deu-lhe uma sagrada tarefa: determinou que ele ficasse de guarda no portão do palácio, para que nenhum intruso pudesse entrar.
Regressando dos Himalayas, Shiva foi impedido, pelo menino, que não o conhecia, de entrar na própria casa. Enfurecido, deu ordem ao seu exército para eliminá-lo, cortando-lhe e jogando-lhe fora a cabeça. Parvati, ao chegar e presenciar a cena, ameaçou destruir toda a Criação. Para apaziguá-la, Shiva ordenou a seus exércitos que trouxessem a cabeça do primeiro ser vivo que encontrassem. Trouxeram a cabeça de um elefante e Shiva colocou-a sobre os ombros do menino, fazendo-o voltar à vida, transformado num ser divino, sobre-humano, a quem foi dada a liderança dos exércitos de Shiva e o supremo comando das forças espirituais.
Ganesha também é conhecido como Ganapathi, Vinayaka, Gajavadana, Lambodhara e muitos outros nomes.


Não é por acaso que seja metade homem, metade elefante. O elefante é conhecido por sua imensa força. Ganesha representa a energia que destrói todos os obstáculos do aspirante em sua busca pelo divino. Representa também o conhecimento, a sabedoria. Por todos esses atributos, ele costuma ser invocado antes de qualquer empreendimento, para que, com seus poderes, abra os caminhos daqueles que o louvam.
Além da Índia, Ganesha é venerado também no Tibete, Nepal, China, Japão e em quase todos os países do sudeste asiático.
  • Símbolos
A imagem de Ganesha carrega um profundo significado. Vejamos:
As grandes orelhas - representam a capacidade de ouvir o ensinamento espiritual (mananam).
O abanar de orelhas - significa ignorar tudo aquilo que é negativo, leviano, e ouvir apenas o que faz crescer a consciência.
A grande cabeça - indica que deve-se refletir sobre o que foi ouvido (sravanam).
A enorme barriga - mostra que o ensinamento deve ser digerido e incorporado. nossa vida. Indica a capacidade de assimilar qualquer experiência, ditas boas ou más, positivas ou negativas, nascimento e morte, com indiferença e desprendimento (eqüanimidade).
A tromba - simboliza nosso discernimento, pois, com sua tromba, o elefante tanto pode derrubar uma árvore quanto colher uma flor. Assim deve ser a faculdade de discernimento do homem, colocando o intelecto a seu serviço, seja para resolver problemas triviais da sua labuta diária, seja para penetrar o mundo sutil da sua consciência.
As duas presas - representam os pares de opostos: o bem e o mal, o permanente e o transitório, ou seja: a dualidade, sobre a qual temos que discernir e chegar a conclusões adequadas neste mundo relativo. Ganesha tem uma presa quebrada, indicando que ele venceu a dualidade. Também é dito que ele sacrificou sua própria presa para, com ela, escrever as sagradas escrituras do Mahabharat.
A postura com uma das pernas dobradas acima do chão – significa que um dos aspectos de sua personalidade repousa no mundo, enquanto o outro está sempre elevado, absorvido na concentração da Realidade Suprema. Os quatro braços – são os quatro atributos interiores do corpo: a mente, o intelecto, o ego e a consciência condicionada.
A machadinha ou aguilhão (instrumento usado para domar animais): são usados para dominar a raiva e os instintos animais do devoto.
O laço de forca - inicialmente, simboliza o apego (Raga), mas é usado por Ganesha para puxar o devoto mais para perto dele.
O lótus - representa o conhecimento e a virtude (nascer no lodo, mas pairar acima dele). Indica que, colocando seus desejos e aspirações acima do ego, o homem é capaz de se elevar.
O abhaya mudra (gesto de ‘não temas’) - indica que o Senhor está sempre pronto para defender os seus devotos.
Os bolinhos - durante a caminhada espiritual, o Senhor Ganesha alimenta o peregrino com os bolinhos de arroz que estão no prato a seus pés. Significam a generosidade divina adoçando o caminho do buscador que persevera.
O ratinho - representa o ego subjugado, impedido de devorar tudo que vê pela frente. Representa também a humildade de Ganesha, por utilizar um ratinho como veículo.


A imagem de Ganesha, com toda a sua riqueza simbólica, deve despertar em nós as qualidades que todos nós possuímos, em estado latente, que dizem respeito à nossa coragem de ir à luta, de atravessar os obstáculos e as dificuldades da vida e de abrir novos caminhos, com sabedoria e discernimento.


Como Ganesha, também precisamos deixar que nossa cabeça seja cortada (o ego, simbolicamente), para que um novo ser ressurja (a ressurreição do espírito).
"Ganesha é o símbolo da perfeita coordenação da mente e do intelecto; entretanto, (na Índia) ele é reverenciado antes de todas as outras deidades quando alguma tarefa ou adoração são iniciadas. Isto é feito para indicar que a mente e o intelecto deveriam ter todas as virtudes e qualidades de Ganesha e, antes de tudo, estarem bem controlados e coordenados quando a pessoa se dedica a fazer qualquer tarefa ou adoração." (Sathya Sai Baba)
  • Mantras para Ganesha
Om Gananam Tva Ganapatigum Havamahe
Kavin Kavinampamasravastamam
Jyestharajam Brahmanam Brahmanaspata
A Nah Srnvannutibhissida Sadanam
Om Mahaganapataye Namah!
Extraído dos Vedas, este sagrado mantra é recitado, em sânscrito, pelos monges de Prashanti Nilayam, à entrada de Sai Baba no templo. Significa:
"Nós Te invocamos, ó Senhor das linhas angelicais, Supremo Ser Onisciente entre aqueles dotados de visão intuitiva, a suprema fonte de todos os esplendores, que dá ouvidos às preces pronunciadas, morando em nosso coração. Ó Senhor de todos os brahamanas, por favor, avizinha-Te e senta-Te em Tua morada, o altar sagrado, tendo nos escutado, em conformidade com nossas preces."


Ganesha Gayatri:


OM! Tatpurusaaya Vidmahi! Vakratundaya Dheemahi! Tanno Dantih Prachodayat!


Tradução: Queira o céu que conheçamos o Ser Supremo! Para tanto, que seja outorgada a meditação sobre Vakratunda para que nos guie. Possa o Senhor inspirar e iluminar o nosso intelecto!


Saudação:
OM GAM GANAPATAYE NAMAH!
(Saudamos e nos prostramos aos Teus pés, ó Ganesha!)


DASARA



O Festival conhecido como Dasara ou Navarathri, ou simplesmente Festival da Mãe Divina, é também um dos mais importantes do Hinduísmo. Ocorre geralmente entre os meses de setembro e outubro, sem uma data fixa, por se guiar, como a maioria dos festivais hindus, pelo calendário lunar. É uma homenagem à Divina Mãe Universal. Pouco conhecido no Ocidente, na Índia é amplamente festejado durante nove dias. Em Prashanti Nilayam, os devotos celebram a data todos os anos, na presença de Bhagavan.
Sai Baba diz: “Para adquirir a Graça do Senhor, o homem tem que, primeiro, oferecer adoração a Prakriti. Por um lado, você precisa do esforço humano e, por outro lado, você tem de adquirir a Graça do Divino. Prakriti (Natureza) e Paramatma (o Ser Supremo) são como pólos negativo e positivo na eletricidade. Por mais poderoso que seja o Senhor (como pólo positivo) não pode haver criação sem Prakriti (representando o pólo negativo). A base para a criação é Prakriti. Por exemplo, por melhores que sejam as sementes, sem plantá-las no solo, você não poderá colher os frutos”.
O Poder Divino em ação na Natureza é simbolizado pelo aspecto Mãe, denominado Shakti. É a Deusa com todo o seu poder que anima e coloca o universo em movimento. No hinduísmo essas duas polaridades, masculina e feminina, são bem marcantes e inseparáveis, como os dois lados da moeda. O poder masculino só se manifesta por meio da sua contraparte feminina; esta, por sua vez, só se revela plena quando está unida ao seu polo masculino.
Navarathri ou Dasara representa a vitória do bem sobre o mal; da luz sobre a obscuridade; da virtude sobre o vício. E essa vitória é concedida à humanidade pelo poder de Shakti, a Deusa, a Invencível: o poder da Divina Mãe. Navarathri significa, literalmente, "nove noites”. Cada uma das três Mães Divinas (Durga-Kali, Lakshmi e Saraswati) é especialmente homenageada nessa grande festa. Os três primeiros dias são dedicados ao louvor e adoração do aspecto Durga; os três dias seguintes são consagrados ao aspecto Lakshmi e os três últimos dias são oferecidos ao aspecto Saraswati.
Durga, Laksmi e Saraswati, com sua potente energia transformadora, foram capazes de vencer o ego, derrotando os seis inimigos do homem, instalados em sua própria consciência interna. São eles: 1) a sensualidade, a luxúria; 2) o rancor, a animosidade; 3) a ambição, a avidez; 4) o apego; 5) o orgulho, a soberba e 6) o ciúme, a malícia. Estas características primárias denigrem o homem, impedindo sua caminhada rumo ao autoconhecimento, rumo à expansão da consciência.
Por tudo isto, o Navarathri é considerado um período altamente auspicioso, que deve ser aproveitado pelo aspirante espiritual para sua autotransformação. Rituais védicos são realizados em toda a Índia. No Ashram de Sathya Sai Baba, brilhantes eruditos fazem pronunciamentos e rituais na presença daquele que representa a encarnação de todas as virtudes. O próprio Sai Baba também profere discursos inspiradores nesse Festival, explicando-nos o seu simbolismo e a sua relevância.
Nesses discursos, Sai Baba nos lembra que Dasara também significa reverência à Mãe Natureza: "A celebração de Navarathri é uma ocasião para reverenciar a Natureza e para refletir como é que os recursos naturais podem ser adequadamente utilizados nos melhores interesses da humanidade. Recursos como água, ar, energia e minerais devem ser usados apropriadamente e não, mal utilizados ou desperdiçados. A economia no uso de todo recurso natural é vital. O mundo é um globo. Vocês sabem que o equilíbrio deve ser mantido para que ele permaneça estável." 


DIPAVALI


O festival do hinduísmo chamado Dipavali ou Divali ocorre entre os meses de outubro e novembro, na lua nova. Divali significa: “fileira de luzes”.
O hindu costuma festejar o Dipavali com muitos fogos de artifício e muitas alegorias. As casas são especialmente limpas, portas e janelas são abertas simbolicamente para a entrada de Maha Lakshmi, a Deusa da Abundância.


Todas as luzes, a óleo ou elétricas são acesas nas casas, nas lojas, nos escritórios, num belo espetáculo. Elas simbolizam a luz do conhecimento, a libertação da ignorância. Muitas ruas são decoradas com enfeites multicoloridos. Presentes são trocados e roupas novas são compradas para o Festival das Luzes.
Existem muitas histórias que falam da origem deste festival. Algumas dizem que ele celebra o casamento de Lakshmi com o Senhor Vishnu.
Há um ar de liberdade, festividade e amizade em todos os lugares. O Festival das Luzes traz um sentimento de unidade e caridade. É o momento em que todos se perdoam mutuamente pelos aborrecimentos e queixas uns dos outros.É um período feliz de grande regozijo para o povo, hora de misturar-se uns aos outros, esquecidas as querelas e as inimizades.
Em Prashanti Nilayam, são grandes as comemorações durante o Dipavali, que duram vários dias, com muitos grupos fazendo representações artísticas (teatro, música, dança) celebrando a data.


Mensagem de Swami para o Dipavali:


"A partir do próprio nome do festival de hoje - 'Deepavali' -, podemos concluir que o resplendor Divino está visível nele. 'Deepavali' significa 'o arranjo das luzes'. 'Conduza-me da escuridão à luz' (Thamasomaa Jyotirgamaya) é uma oração dos Upanishads. Ela significa que a luz é necessária onde houver escuridão. O que é essa escuridão? A tristeza é uma forma de escuridão. A falta de paz é outra. A decepção é uma forma de escuridão. A falta de entusiasmo é outra ainda. Todas elas são formas diferentes de escuridão. Para se livrar da escuridão da tristeza, você precisa acender a lâmpada da felicidade. Para dissipar a escuridão da doença, você precisa instalar a luz da saúde. Para vencer a escuridão de perdas e fracassos, você precisa expressar a luz da prosperidade."
MAHASHIVARATRI


O Mahashivaratri, ou Grande Festival de Shiva, ocorre entre fevereiro e março. É um dos festivais mais concorridos não só em Prashanti Nilayam como em toda a Índia, pelo seu significado transformador.
Mahashivaratri é um termo sânscrito, composto dos vocábulos Maha + Shiva + Ratri. Maha: grande, importante; Shiva: na Trindade Hindu, é aquele que transforma; Ratri: noite escura.
Na Índia, onde os devotos de Shiva são inúmeros, costuma-se observar, todos os meses, o Shivaratri, dia dedicado a Shiva, na décima quarta noite da lua, ou seja, o último dia da lua minguante. Essa devoção inclui jejum e cânticos devocionais.
O Mahashivaratri é um grande Shivaratri. Grande porque nesse período do ano, que se situa entre fevereiro e março, o poder exercido pela lua (chamada lua negra), no último dia da minguante, é menor, em relação ao resto do ano. Daí a grande celebração.
  • Shiva
É engano pensar que Shiva, por caracterizar, na Trindade Hindu, o aspecto destruidor, seja um deus negativo inclemente, vingativo, sem compaixão. Shiva é o aspecto transformador de Deus. Ele destrói apenas aquilo que precisa ser transformado, transcendido, transmutado. Ele destrói para renovar.
Por outro lado, é Ele quem elimina os pesados efeitos do karma, é Ele que tem o poder de cancelar nossos instintos arcaicos, animalescos, conservadores, purificando os pensamentos da nossa mente e impulsionando todo nosso ser em direção à Luz. É Ele que, com Seu imenso poder, destrói a ignorância do homem, extraindo o veneno do ego, para que se torne pacífico e dócil à Vontade Divina.
Shiva simboliza também a disciplina, por meio da qual podemos atingir a libertação (moksha) do ciclo de nascimento e morte.
  • Nomes de Shiva
Shiva também é conhecido como Shambho, Mahadeva, Shankara, Mahayogi, Mahakala, entre outros nomes.
No Rig Veda Ele é denominado Rudra, termo que designa Agni, o Deus do fogo, aquele que tem o poder de queimar e destruir as paixões humanas e os sentidos físicos que atuam como empecilhos às percepções espirituais mais altas e sutis do Eu Superior. Rudra surge da combinação de Rude (em sânscrito, pecado) e Dravayati (que significa lavar). Assim, o processo de lavar nossos pecados chama-se Rudra.


Quando representado na forma de dançarino, Ele é denominado Nataraja ou Shiva Nataraja, o Rei dos Dançarinos.
Sua divina dança chama-se Tandava. Simboliza a manifestação do ritmo cósmico, a personificação do movimento do universo.
Enquanto dança, Ele dissolve todos os grilhões do ego que mantêm a prisão do Ser e promove a libertação.
“Shivaratri é observado a cada mês, na décima quarta noite da metade escura (da lua), porque a lua, que é a deidade regente da mente humana, tem somente mais uma noite para ser uma não-entidade, com nenhuma influência sobre as agitações da mente. No mês de Magha (entre fevereiro e março no calendário hindu) a décima quarta noite é chamada Maha Shivaratri (maha, grande). Ela é sagrada porque é o dia em que Shiva (Deus) toma a forma de Lingam, para benefício dos devotos. (...) Nessa noite, pratiquem contemplação sobre o Atma Linga, que é o Jyoti Linga, isto é, o símbolo da Suprema Luz da Sabedoria, e se convençam de que Shiva está no íntimo de cada um de vocês. Que tal visão ilumine a Consciência Interna de cada um. O ritual externo é recomendado para tornar explícita esta mensagem.” (Sai Baba).
  • O Lingam
Sai Baba mostrando o lingan materializado
Shiva é considerado um Deus da fertilidade.
A junção de Shiva com sua contraparte feminina (shakti) Parvati, é representada pelo linga ou lingam (o falo) que, junto ao yoni (útero), formam uma unidade e promovem a dissolução da dualidade.
O significado literal do termo lingam é emblema, distintivo, signo. O lingam, portanto, é o emblema de Shiva, o símbolo fálico, a energia masculina universal, associada ao poder criador divino. Na Índia, cultuar o lingam e cultuar Shiva é a mesma coisa.
O lingam é representado normalmente em forma ovalada e, nos templos, costuma-se pendurá-lo num recipiente contendo um pequeno orifício no fundo, onde a água é derramada sobre ele incessantemente, em forma de reverência.


Na noite do Mahashivaratri, enquanto os devotos entoam cânticos devocionais, Sai Baba costuma materializar um lingam, que emerge naturalmente da sua boca.
São momentos que emocionam e enchem de perplexidade os milhares de devotos que os presenciam.
  • Outros símbolos de Shiva
Os olhos entreabertos: mostram que Sua mente está absorta no Ser Absoluto, ao mesmo tempo em que Seu corpo olha e interage com o mundo.
A serpente enroscada em Seu pescoço: representa o ego que, embora venenoso, pode ser dominado e usado como simples adorno.
A lua enfeitando Sua cabeça: simboliza a memória, o ego.
A arma (trishula ou tridente): significa a destruição do ego e seus três desejos: fisicos, emocionais e mentais; significa também a transcendência dos três gunas (satva, rajas e tamas) ou dos três períodos de tempo (passado, presente e futuro).
O tambor (damaru): representa o som da criação; indica que todo o universo segue um ritmo e a uma ordem cíclica.
O cabelo comprido: demonstra o Seu poder e a Sua grande energia concentrada na busca do conhecimento.
A água jorrando do topo da cabeça: simboliza o sagrado rio Ganges (conhecimento, amrita).
As cinzas que cobrem Seu corpo: são a queima da ignorância, de todas as ilusões e todos os desejos.
O touro Nandi: é o veículo de Shiva. O touro é o símbolo da sexualidade. Sentado sobre ele, Shiva demonstra Seu completo domínio sobre a natureza física.
O demônio debaixo de um dos Seus pés: representa a ignorância e a ilusão, a natureza inferior e animal do ego humano subjugada pelo poder da verdade em ação.
O pé esquerdo levantado do chão e apontando para cima: lembra-nos que devemos nos elevar acima da realidade física para obtermos a libertação.
Kamandalu (pote d’água): representa a renúncia, o ascetismo, a simplicidade (viver apenas com o essencial).
Colares e pulseiras de rudraksha (sementes): A rudraksha é uma semente sagrada que simboliza os olhos de Shiva. Os colares e pulseiras (malas) indicam a disciplina da mente pela meditação.


Os quatro braços: indicam Seu enorme poder de agir nos quatro planos da matéria.
A palma da mão à frente: é o gesto com o qual Ele afirma que não devemos temê-lO, pois na transformação está a solução dos problemas.
As neves do monte Kailasa: a brancura simboliza a pureza da mente.


O verdadeiro aspirante espiritual, aquele que se esforça para obter purificação e transformação interna, vê na comemoração do Mahashivaratri uma oportunidade de entrega, através do jejum e da repetição do Nome do Senhor, entoando mantras e cânticos devocionais.
A prática de cantar e louvar o Senhor, por si, já tem o poder de acalmar a mente inquieta. Essa mesma prática, realizada com fervor na noite em que a lua tem mínima ascendência sobre a mente, tem seu valor potencializado. Por meio dela, a mente pode ser pacificada, para que a Luz Divina possa penetrar sem a resistência do ego.
Da mesma forma que, para transformar-se em árvore, a semente precisa morrer, precisamos sacrificar nossas paixões, desejos e vontades do ego no fogo purificador de Shiva, para renascermos plenamente, como seres divinos que somos.


“Vocês serão imensamente beneficiados por se manterem acordados e cantarem a glória de Deus, pelo menos nesta noite. A Lua é a deidade que preside a mente. A Lua tem dezesseis fases (kalas). No Shivaratri, quinze fases já imergiram em Deus, e somente uma permanece. Pela constante lembrança de Deus, a décima-sexta fase também se funde em Deus. Não podem passar uma única noite, em todo o ano, cantando a glória de Deus? Santifiquem esta noite, participando dos cânticos devocionais (Bhajans). A Bem-aventurança que obtêm dos Bhajans, a doçura que experimentam com o divino nome, a felicidade obtida ao visualizarem a divina forma - estas não podem ser obtidas em outro lugar. Tudo é possível somente através do Amor. Assim, cultivem o Amor e santifiquem suas vidas.” (Sai Baba)
  • Mantras para Shiva
Entoados com concentração e fervor, os mantras dirigidos ao Senhor Shiva trazem em si uma grande força renovadora. Alguns desses mantras são:
Om Namah Shivaya (pronúncia: Om Namá Shivaia. Tradução: inclino-me diante de Ti, Senhor Shiva).
Maha Mruthyunjaya Mantra (considerado um mantra de alto poder de cura):


Om Trayambakam Yajaamahe Sugandhim Pushti - Vardhanam
Urva - Rukamiva Bandhanan Mrytior Muksheeya Ma - Amritaat

(Pronúncia: Om Traiambakam Iajamarrê Sugandim Puxti Vardanam / Urvá Rukamiva Bandanam/ Mritior Mukxiva Mamritá. Tradução: adoramos aquele de três olhos, o Senhor Shiva, que é naturalmente perfumado, imensamente misericordioso e protetor dos devotos. Adorando-o, possamos ser libertados da morte por amor à imortalidade, assim como o pepino maduro facilmente se separa do talo que o prende. Por Sua Graça, esteja eu em estado de salvação - Moksha - e seja salvo das garras da morte terrível).


KRISHNA


O Festival de Krishna ocorre entre os meses de agosto e setembro de cada ano. Pela capital influência de Krishna na cultura hindu, é também um dos festivais de maior pompa e relevância no calendário da Índia.
Em Prashanti Nilayam, é festejado com todas as honras. Em Seus discursos, Sai Baba ressalta passagens importantes da vida de Krishna, este Avatar (v.subtópico "Avatar", no tópico "Sai Baba, o Ser") que, com Sua Divina flauta, mostrou-nos o poder da Suavidade, da Leveza, da Pureza, do Amor pelos animais, pela natureza.
  • A vida de Krishna
O Avatar Krishna nasceu em Mathura, na Índia, no ano 3227 AC.
Segundo conta a tradição, antes do nascimento de Krishna, a Índia estava sob o jugo de diferentes demônios disfarçados em reis. Nesse tempo, uma divindade conhecida como Bhumi foi até o Senhor Brahma e contou-Lhe dos estragos e calamidades provocados pelos reis adharmicos...
Foi então que a face Suprema da Personalidade de Deus, Vishnu, o Preservador, revelou sua própria descida à Terra, nascendo como Krishna, revelando-se logo aos pais, Devaki e Vasudeva, como Vishnu.
Quando o declínio alcança o dharma estabelecido, Eu, deixando o estado nirakara (infinito), encarno como narakara (finito). A fim de reviver e proteger os bons e, mais ainda, a fim de salvar do medo aquele que é bom, Eu encarno.” (Krishna)
Devaki e Vasudeva encontravam-se encarcerados por ocasião do nascimento do seu filho Krishna. Um malvado rei, impressionado com uma profecia que revelava que a criança iria matá-lo, determinou a prisão dos seus pais.Na hora do nascimento, porém, os guardas da prisão adormeceram inexplicavelmente e as grades se abriram. Dessa forma, Vasudeva pôde levar o filho até a cidade de Gokula. Lá, a criança foi criada por um piedoso casal de fazendeiros, Yashoda e Nanda, Seus pais adotivos.
Conhecido por sua beleza incomparável, Krishna passou toda a Sua infância e juventude nos bosques de Brindavan, às margens do rio Yamuna. É representado geralmente tocando uma flauta, com a qual encanta todas as criaturas viventes. Em muitas dessas representações, aparece ao lado de Radha, sua contraparte feminina, a preferida das devotas (Gopis).


Fixa em Mim teu pensamento. Sê-Me devotado. Homenageia-Me. Tu Me atingirás. Declaro-te a Verdade porque Me és querido. Tal é Meu ensino. Tal é Minha Graça." (Krishna)
  • Nomes
Os nomes de Krishna mudam de acordo com a sua representação. Quando aparece como criança, é Gopala ou Navanithachora, o ladrãozinho de manteiga.
Como protetor das vacas, é Govinda, aquele que nos ensina a ter amor e compaixão pelos animais.
Palavras de Sai Baba:


"Peguem o nome, Navanithachora (ladrão de manteiga) que é usado para Krishna. Ele não significa uma pessoa que foge com a manteiga que as pessoas estocaram. Não é o objeto chamado manteiga, o qual é obtido por bater o leite coalhado, que Ele roubou. É a manteiga da fé, alcançada pelo processo de bater chamado anseio, do leite coalhado denominado experiências mundanas. Ele cobiça apenas essa manteiga. Quando Yashoda reprovou a criança Krishna por esse furto, Ele respondeu: Mas, mãe, elas gostam de Mim por Eu roubar a manteiga; elas se lamentam se Eu não faço isso; elas batem-no na esperança de que Eu roube a manteiga; quando roubo, seus corações são iluminados e elas despertam."


Krishna também é conhecido como Govinda (o Senhor das vacas); Manohara (o que rouba corações); Jaganatha (Senhor do Universo); Madhava (descendente do Rei Madhu); Govardanodhara (Senhor de Govardana); Nandalala (o querido de Nanda); Gopishwaraya (Senhor das Gopis); Muralidhar (aquele que é Um com a flauta) e muitos outros.
  • Krishna e a Bhagavad Gita
A importância de Krishna foi vital nos acontecimentos épicos que modificaram toda a história do Oriente.
Krishna imortalizou-se nos Vedas, as escrituras sagradas do hinduísmo. Vedas vem do sânscrito e significa “saber”. É composto de vários livros, aparentemente independentes, mas com um profundo elo de ligação entre si. Um desses livros é o famoso Mahabharat (a grande guerra dos bharat ou hindus). A Bhagavad Gita é apenas um capítulo do Mahabharat; porém, é considerada a essência do conhecimento védico. Retrata o diálogo entre Krishna e seu mais poderoso discípulo, o herói Arjuna, o arqueiro supremo, na famosa batalha de Kurukshetra, a luta do bem contra o mal, dos Pandavas (os bons, defensores da virtude, que protegiam a lei do dharma) contra os Kauravas (os amorais e perversos que colocavam em risco a harmonia e a ordem).
Krishna, o Deus encarnado, chefe do clã Yâdava, amigo e parente dos Kauravas, tentou reconciliar os dois partidos, mas não conseguiu. Tornou-se então necessário combater pela justiça e pelo direito. Todos os príncipes da Índia tomaram um ou outro partido. Krishna, imparcial, ofereceu uma escolha aos dois partidos: os kauravas escolheram ter ao seu lado todo o exército de Krishna, enquanto que o próprio Krishna, sozinho, passou para o outro campo, não como guerreiro, mas como simples condutor do carro de Arjuna.
Do ponto de vista estritamente militar, o exército dos Kauravas era claramente superior ao de seu adversário. Mas esta superioridade era compensada pela presença de Krishna no campo oposto. Fazemos aqui uma associação ao pensamento bíblico: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?"
O príncipe Arjuna precisava entrar na batalha contra a injustiça, a violência e a crueldade dos Kauravas contra os Pandavas, colocando em ação a divina incumbência de resgatar o dharma. Mas ele estava cheio de dúvidas e receios internos, ameaçando desertar. Para completar sua aflição, os Kauravas eram seus primos. Aniquilado pelo conflito interno, desanimado e sem energia para o combate, Arjuna clama pelo Senhor... E o Senhor vem em seu auxílio. Novamente, fazemos uma associação às palavras bíblicas, quando Jesus nos diz que é necessário apenas bater, e a porta se abrirá.
De que vale aguardar que as ondas cessem para você poder entrar no mar e banhar-se? Elas jamais se aquietarão. O homem sábio aprende a artimanha de evitar a pancada da onda impetuosa e o arrasto de seu recuo. Mas o banho de mar é essencial. Arjuna! Algumas pessoas evitam exatamente isto por serem preguiçosas para o aprendizado desta arte. Vista a couraça da fortaleza da equanimidade e os golpes da boa ou má fortuna nunca o poderão alcançar.” Assim dirigiu-se Krishna a Arjuna, acrescentando:


Você imagina que se engajar na guerra é pecado. É um grande erro. Pecado, por outro lado, é perder a chance de destruir o perverso, prolongando assim a agonia dos virtuosos. Abandone seu dharma agora e correrá o risco de cair em perdição. Cumpra-o, e seja imune ao pecado. Tenha sua mente firme e não ceda lugar a uma ou outra dentre todas as dualidades do mundo.”
Com essas palavras, o Senhor Krishna estimula e convence o vacilante Arjuna a enfrentar o inimigo. É então que começa a Bhagavad-Gita, o Canto Divino, assim chamado por conter as palavras de Krishna, a divindade encarnada, e por ensinar o homem a elevar-se acima da consciência humana até uma consciência divina superior, realizando desta forma na Terra o reinado dos céus.
Inspirado por Krishna, Arjuna é conduzido à vitória. Significa que todo aquele que permitir que a “Canção do Senhor” ecoe em seu íntimo será sempre vitorioso, pois, instalado em nossos corações, o Senhor Krishna estará realizando o maior de todos os Seus milagres: libertar-nos do sofrimento, fazendo-nos reconhecer a Felicidade que é nossa Verdadeira Natureza.
  • As verdades da Gita
“As principais verdades sublinhadas pela Gita são:


- a submissão irrestrita a Krishna;
- a ruptura das três algemas que vinculam a pessoa ao mundo externo dos objetos (luxúria, ódio e ambição);
- a prática de boas ações;
- a disciplina virtuosa.


O Senhor considera essas quatro as melhores formas de treinamento nos segredos mais profundos do progresso íntimo.”
(Sai Baba)
  • Simbologia
Arjuna - representa jiva , a alma individual.
O carro-de-guerra – é o corpo, nosso veículo físico.
O Condutor - é o Senhor, o Inspirador da Inteligência, o Ser Supremo (que também é o nosso Eu Superior, o Atma).
Os Kauravas - simbolizam o mal, a natureza satânica (o ego e todas as suas artimanhas).
Os Pandavas - são o bem, a Natureza Divina.
Os cavalos - representam nossos corpos densos (principalmente os corpos físico, mental e emocional) que precisam ser domados com maestria pelas rédeas da Vontade Superior, projetada pela determinação da alma.
  • Sai Baba e Krishna
"Nunca os devotos mergulharam tanto no Divino Amor quanto na Era de Krishna. Milhares de devotos fundiram-se com Sri Krishna durante Seu período na Terra. Então, se desejam fundir-se com a Divindade, o canto devocional é o único meio. Diz-se que Deus se agrada da canção devocional. O Avatar Krishna é o melhor exemplo dessa declaração. O simples Nome ‘Krishna’ cantado por um devoto é suficiente para comovê-lO. As brincadeiras, curas e milagres realizados pelo Senhor Krishna durante Seu período como Avatar não têm igual."


Sri Krishna e Sri Sathya Sai Baba são um só.
A mensagem de Krishna, imortalizada na Gita, é exatamente a mesma mensagem de Sai para nós, nos tempos atuais. Porque as verdades eternas, os valores do espírito transcendem as eras.
Sathya Sai, como Krishna, é o Condutor Supremo, Aquele que nos convoca a nos despir do medo e enfrentar a batalha do bem contra o mal. Ele espera que façamos como Arjuna, o fiel discípulo de Krishna, que aceitou os conselhos divinos do Seu Mestre e, com precisão, derrotou os adversários que representavam o mal. Ele espera que tenhamos a coragem de entregar o nosso ego. Palavras Dele:
"A Gita tem validade eterna e universal. Seu estudo nos ensina a cruzar o mar da ilusão. A Gita paira acima da categoria do tempo e não pode ser creditada a uma época, passada ou presente. Pelo fato de já ter consolado e libertado milhões de homens, a sublime escritura evidencia sua origem divina.”
Se você deseja ter o Senhor do seu lado como guia, arme-se com a Natureza Divina, isto é, com as qualidades do dharma. Porque o Senhor está onde o dharma está.”
  • Mantras
Klim Krishnaya, Govindaya, Gopijanavallabhaya Swaha!


Klim: terra.
Krishnaya: água.
Govindaya: fogo.
Gopijanavallabhaya: ar.
Swaha: éter (ou akasha).


O nome Krishna vem da raiz krish, que significa "atrair". Ele encerra os cinco elementos: Terra, água, fogo, ar e éter. Isto significa que o Cosmos é permeado pelo Divino.
Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare!
(Salve Krishna!)


RAMA


O Festival dedicado a Rama, o Rama Navami, ocorre entre os meses de março e abril.

  • Quem foi Rama
Rama foi um Avatar que viveu na Índia há 8 mil anos. Veio ao mundo para nos dar o exemplo da retidão. É Ele a figura central do Ramayana (épico hindu). Sua contraparte feminina é venerada como Sita, que representa a energia da natureza e simboliza a união do espírito com a matéria.
Amor, doçura e compaixão eram a marca registrada de Rama, que nos deixou o legado de uma vida muito rica em ensinamentos.
Sai Baba nos lembra que a história mostrada pelo Ramayana é a mesma história da humanidade, pois a batalha entre o bem e o mal, entre a virtude e a retidão, entre o ódio e o amor, continua sendo travada dentro do nosso ser, na nossa consciência.
O maior devoto de Rama era Hanuman (o macaco-homem), tido até hoje como exemplo de devoção fiel, que se aprimora com o tempo e se fortalece com as provas que precisa atravessar.
Rama significa “Pai Divino”, em sânscrito. Ram é uma corruptela de Rama e faz parte da saudação adotada pelos devotos de Sai Baba, demonstrando-nos toda a profunda ligação entre Swami e Rama.
Palavras de Sathya Sai:


A história de Rama retrata um ser repleto de doçura e compaixão. Esta história é o caminho real do progresso humano e de uma vida exemplar. O Princípio de Rama é uma combinação do Divino no humano e do humano no Divino. A inspiradora história de Rama apresenta o código ético tríplice relacionado com o indivíduo, a família e a sociedade. Se a sociedade deve progredir, a família deveria ser feliz, harmoniosa e unida. Para a unidade na família, os indivíduos que a compõem devem ter espírito de sacrifício. A história de Rama exemplifica os códigos éticos que governam o indivíduo, a família e a sociedade.”


A história de Rama não é um conto antigo. É eterna, e sempre nova. É cheia de auspiciosidade. Possam todos encher seus corações com os sagrados ideais do Ramayana! Possam todos abandonar o ódio e todas as diferenças! Possam todos viver em paz e harmonia! Quando contemplarem Rama sem cessar, sentirão grande alegria e contentamento.”


São as virtudes que emprestam grandeza a qualquer pessoa. Rama brilha no Ramayana por causa de Suas genuínas virtudes. As virtudes são mais importantes que o conhecimento acadêmico.”


Não limitem Rama a um nome e forma particulares. Todos os seres são Suas formas. Rama significa Aquele que dá felicidade. Ele está presente em todos.”
  • Mantras de Rama
Hare Rama, Hare Rama, Rama, Rama, Hare, Hare!
Sri Ram Jay Ram, Jay Jay Ram!
(Salve o Senhor Rama!)